Os pescadores artesanais, desde o dia 2 de abril, estão comemorando a entrada da tainha na barra da lagoa Santo Antônio dos Anjos.
No amanhecer do último dia 10 de maio, os pescadores dos Molhes, no Mar Grosso, capturaram mais de 200 tainhas, de porte médio, popularmente chamadas de facão (macho) e tainhota (fêmea não ovada). Tudo vendida na beira da lagoa a R$ 10 três peixes. A expectativa é a chegada da tainha corsário, ou corseira, fêmea da espécie já ovada. Preferida para a culinária, no preparo no forno, ou também, reservar a ova para fritar e comer como aperitivo.
A partir deste dia 15 de maio, os pescadores disputarão o peixe com as embarcações. Com o encerramento do defeso da tainha, a frota industrial está autorizada a capturar a espécie. No porto pesqueiro de Laguna, no ano de 2010, de acordo com estatísticas do grupo pesqueiro da Univali foram capturados em maio 57.800 mil quilos e junho 51.280 mil.
A pesca da tainha começa com a chegada do frio, quando os cardumes vêm em busca de águas mais quentes. Os pontos de partidas são o litoral do Rio Grande do Sul e a bacia do Rio da Prata, entre Uruguai e Argentina, grandes berçários do peixe. Mais de 50% dos cardumes não chegam até o Rio de Janeiro, destino final, acabam nas redes dos pescadores catarinenses.
No ano passado, devido a chuva no início de março os altos níveis de precipitação registrados na costa gaúcha prejudicaram a fertilidade das ovas do peixe, pois as chuvas diminuem a concentração de sal perto do litoral, o que afasta precocemente o cardume em direção ao alto-mar.
As tainhas são vistas em cardumes, pois é uma característica da fecundação, onde as fêmeas lançam os óvulos no mar e se encontram com os esperma por acaso, por isso elas nadam tão juntas.
Disputa começa na madrugada
Antes do amanhecer, os primeiros pescadores chegam no Molhes na praia do Mar Grosso. O objetivo é guardar lugar na fila “da jogada da rede” na captura do peixe com ajuda do boto. Os mais experientes, às 3h da manhã, estão na espera do sol raiar. Primeira claridade, o vai e vem de tarrafas começa. Quem pescar qualquer quantia de peixe, cede o lugar para o que está na areia esperando. Num dia concorrido mais de 20 pescadores estão na fila, e outros 20, na espera. O pescador Severiano Delgado, o Ligeirinho, é um desses frequentadores assíduos. “ No dia 10 vendi 80 tainhas. Tudo é uma questão de sorte”, conta ele.
O rodízio segue o dia inteiro. Os que chegaram atrasados podem escolher outros locais, ou ainda, jogar a tarrafa por trás daqueles que estão na fila. As melhores pedras, para os pescadores, ao longo do Molhes também são concorridas, conforme o vento dá para pegar grande quantidade de peixe. O pescador artesanal que preferir não disputar espaço segue pela praia e captura o peixe nas ondas com ajuda dos botos que resolveram passear pela praia.
Licenças para pesca
Em 2009, Instrução Normativa, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que dispõe sobre normas para a captura de tainha e para o exercício da pesca, reduziu o número de licenças para as embarcações da chamada frota industrial que opera com redes de cerco.
Para os pescadores artesanais, a legislação também ajudou por serem grandes as diferenças das embarcações e tecnologias usadas. Enquanto os artesanais ainda utilizam o olho para identificar a presença de cardumes no mar, as grandes parelhas fazem a localização de cardumes a cinco milhas com um sonar.
A Guarnição da Polícia Ambiental de Laguna fiscaliza a costa de Garopaba até Passos de Torres. Para estar de acordo com a legislação, o barco precisa ficar a cinco milhas da costa na captura. Um sistema do Ministério da Pesca é acionado para monitorar os barcos. De acordo com o sargento Fernandes, até o final desta sexta-feira nenhuma ocorrência. A partir do dia 15, ele e sua equipe estarão fiscalizando a frota pesqueira que navegaram na região.
Fonte:http://pontadabarra.com.br/Noticias.php?id=101

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